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4 de março de 2009

A praga do plágio



Não tenho o hábito de comentar aqui os blogs de que gosto, mas o caso de Não gosto de plágio, de Denise Bottmann, é especial tanto por sua "utilidade pública" quanto pela pertinência e gravidade das denúncias que faz.

Garimpando e cotejando plágios de tradução das mais (in)suspeitas editoras brasileiras (em livros que abarrotam as prateleiras e gôndolas mais próximas!), Denise segue descendo o reio na canalha que, à luz de nossas lâmpadas trêmulas e óculos contorcidos, rouba traduções consagradas e picota clássicos.

Eis um material que merece uma leitura demorada - leitura que se converte em prazer e pasmo a cada post.

23 de maio de 2007

A música magistrAL

Em 9 de maio, o elétrico e imaginativo Paulo de Toledo (P. ou P. de T, eu diria normalmente) enviou-me uma mensagem da qual, devido ao descaminho próprio a quem tem desnecessariamente mais de uma conta de e-mail, fui conhecer a existência apenas ontem.

Nela, o gentil amigo apresentou-me uma versão sua de “To a giraffe”, de Marianne Moore, cuja tradução fora postada por mim em 8 de maio.

Deliciado com a qualidade da resposta-tradução de P. à minha versão do poema de Marianne, resolvi postá-lo aqui, como justa homenagem à bem-sucedida empresa a qual se lançou o poeta santista: devolver ao poema originAL sua música magistrAL.

De poema em poema, de tradução em tradução, o Texto expande-se e reforma-se: eis o brinquedo eleito das criaturas críticas.



PARA UMA GIRAFA

Se é inadimissível, na verdade, fatal
ser pessoal e desejável

ser literal — ou mesmo prejudicial
se o olho não é inocente — quer dizer que

pode-se viver só com as folhinhas al-
cançáveis apenas ao bicho mais alto? —

do qual a girafa é o perfeito exemplo —
o animal infreqüentável.

Quando atormentada pelas coisas d’alma,
uma criatura pode ser intragável

isso poderia ser irresistível;
para ser precisa, excepcional

já que menos freqüentável
que certo emocionalmente inapto animal.

Afinal
o consolo da metafísica ocidental
pode ser profundo. A existência, em Homero,

é falha; a transcendência, condicional;
“o caminho do pecado à redenção: sem final.”


Marianne Moore (De “Tell me, tell me”, 1966)
Tradução de Paulo de Toledo